Quando eu falo que "eu me basto", estou dizendo que eu, e somente eu, tenho o controle de minhas atitudes. Sei que não posso controlar o que sinto, mas também sei que tenho total controle da manifestação desse sentimento.
Veja bem: Não estou falando que saio ilesa desse esforço; estou dizendo apenas, que ao medir forças comigo mesma, eu só perco se eu quiser. Posso sair estraçalhada por dentro, dilacerada até à alma, um caos... mas isso é da minha conta, é problema meu, são sintomas assinados por mim.
Quando digo que "eu me basto", quero dizer que não me permito dar vexame. "Ah, fui traída!" Pronto: Só por isso vou passar a seguir quem não me quis, dar escândalos no seu local de trabalho, me ajoelhar, chorar, implorar, mendigar afeto...? De jeito nenhum. Quando essa maldita dor passa, você percebe que nada disso te faz melhorar em nada. Logo entre o sofrimento dividido com uma platéia, que vai no mínimo, te ridicularizar, e o sofrimento dividido apenas comigo mesma é claro que prefiro a segunda opção. E olha que falo em conhecimento de causa. Não estou teorizando. Aliás sempre detestei filosofia...
E quer saber? Eu acho mesmo que posso generalizar e dizer que "cada um se basta". Ora bolas, se eu consigo, por que que o outro que também tem, cabeça, tronco, membro e coração, não conseguiria. Consegue sim. As personalidades são diferentes, mais o referencial de humilhação, de passividade, de sofrimento é o mesmo pra todos. Todo mundo sabe diferenciar uma pessoa feia de uma pessoa bonita. Então, todos sabemos o que é fazer papel ridículo.
Ninguém é fraco o suficiente para se deixar derrotar, quando se tem a opção de vencer. Não consigo aceitar quando vejo alguém colocando sua felicidade na mão do outro, vivendo a vida do outro, obedecendo, se excedendo, se diminuindo... e fingindo pro outros que isso é normal, que faz parte da vida, que não é possível controlar.
Ora, se é pra fingir, finja então pra você mesmo, minta, se engane, mas deixe os outros fora disso. É muito mais digno, mas honesto, admita suas fraquezas, faça delas motivações, criatura!!!! Pare de dizer que é o outro que faz de você uma pessoa fracassada.
Pra mim não existe nada mais cafona, do que sofrer por alguém, minha relação com o ser humano é puramente fisiológica ou braçal, como queira. As pessoas pra mim, nunca foram essenciais, convivo e "desconvivo", com elas sem maiores perdas. eu sofro mesmo é por minhas dívidas, pela tarefa da faculdade que não consegui entender, pelo meu cd preferido que arranhou, sofro por fatos, por coisas, não por pessoas. Por morte o máximo que consegui foi ficar triste e apenas por vinte quatro horas, acredito que estou meio anestesiada ali pela região do coração. Pra mim ação e reação não são pra serem levadas ao pé da letra quando falamos de sentimentos.
Derrota pra mim, nunca foi sinônimo de lágrimas, sinônimo de lágrima pra mim, é lente de contato incomodando, é cisco no olho, um pisão no pé, fatos que você não pode evitar, ali na hora o máximo que se pode fazer é remediar, mais evitar não.
Tá ai a diferença entre derramar lágrimas por alguém e derramar lágrimas por coisas. As primeiras você pode evitar, eu evito há 36 anos, e guardo comigo meu certificado de validade... E lá está escrito assim: "Eu me basto.... e com um espaço pra ser colocada a data de validade... a minha continua em branco.
Pense nisso.