juntamente com o aumento do acesso das pessoas à internet, descobriu-se uma nova forma de infidelidade: a virtual.
No início pode parecer inocente, troca de mensagens entre desconhecidos que, com o tempo vão descobrindo afinidades, rapidamente evolui para troca de confidências, daí para a entrada no mundo das fantasias sexuais, é um pulo.
Talvez este relacionamento virtual nunca se transfira para a vida real, mas a traição virtual magoa do mesmo jeito.
Há alguns anos a busca por sinais da infidelidade do parceiro era basicamente, o vasculhar de bolsos e carteiras, à procura por marcas de batons no colarinho, um perfume diferente, depois de chegar 10 minutos atrasado do trabalho e em alguns casos mais extremos, até mesmo seguir o parceiro, métodos hoje ultrapassados, tempos modernos requerem novos métodos de investigação.
A traição, hoje, não é apenas o contato físico, mas também, a intimidade emocional: sentimento de cumplicidade, confidências, segredos e o pior de todos, o prazer de ir para a cama pensando no outro. O estabelecimento deste vínculo íntimo, através do Orkut, Messenger é, no mínimo, instigante, e existe o sexo virtual, que dispensa comentários. Tem todos os ingredientes para ser chamado de um caso extraconjugal, porém, o ato em si, da traição, o contato físico, muitas vezes não chega a acontecer.
No que nós podemos chamar de “era eletrônica”, quando se desconfia do comportamento da cara-metade, o padrão de comportamento é quase sempre como nos tempos da vovó, o desconfiado passa a vasculhar a vida virtual do outro, lê e-mails, checa mensagens; a internet desperta nas pessoas um ciúme na maioria das vezes absurdo e incontrolável.
A infidelidade emocional, a que não envolve o toque, segundo pesquisas em alguns grandes escritórios de advocacia, em 90% das separações são apresentadas cópias de e-mails, Messenger e Orkut, para se provar o “quase-adultério” (fonte: revista Veja). O quase-adultério é uma situação amorosa em que não há envolvimento carnal e sim emocional. Criar qualquer vínculo com alguém do sexo oposto que exclua o marido ou a mulher, é o primeiro passo para a traição.
Não há como negar a mudança de comportamento, principalmente sexual, os sites de bate-papos virtuais, propiciam a qualquer pessoa fantasiar; ali se pode ser quem quiser, não existe limite. O anonimato e a privacidade são os principais elementos para esta liberação. No mundo virtual é tudo muito rápido e fácil.
Muitas vezes, só o fator de despertar o desejo no outro, a tentativa da conquista, coisas que desaparecem no casamento com o tempo, são relevantes para alguém se arriscar no mundo virtual. O parceiro pode estar negligenciando a relação e com isso muitas vezes, sem perceber, acaba empurrando o outro para esta busca, todos nós temos ânsia por ser apreciado, quem não gosta de receber um elogio, de ser admirado? E com o tempo, aquela pessoa com quem casamos, passa a ser como um dos móveis da casa.
Inevitavelmente, o desinteresse de um dos cônjuges desperta no outro o ciúme, a desconfiança, e estes sentimentos transformam qualquer casamento em uma tortura.
Não acredito que seja a internet a responsável pelo fim dos relacionamentos, ela apenas expõe as fragilidades deste casamento.
Agora, fica claro que ler mensagens, vigiar conversas, não são métodos eficazes; não se pode entrar na cabeça do outro e é lá que mora o desejo, e felizmente ninguém até hoje conseguiu ler pensamentos, ainda bem, senão o estrago seria bem maior que a internet.
Em suma, hoje não basta um casal falar sobre: dinheiro, filhos, família, quem fica com o controle remoto; o uso da internet passou a ser item obrigatório nas conversas dos casais.
Alessandra Matos
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