Ser Pedagoga não é apenas ser professora, mestre, doutora, tia coordenadora, supervisora, orientadora, dona da escola ou faculdade. É muito mais do que isso. É ser responsável. Alguém que se predispõe a educar, e especificamente no caso do nosso curso, formar educadores, não tem o direito de desfazer dos sonhos de quem está em sala de aula para aprender, não tem o direito de frustrar os poucos que optam por seguir o caminho da docência como profissão. Nunca concordei com a máxima de que: Docência é sacerdócio. É poético, contudo não é verdade, a docência é profissão, como medicina, engenharia, direito, ou seja, é preciso não apenas amor pelo que se faz e sim profissionalismo, dedicação e competência.
Ser Pedagoga é saber lidar com o diferente, sem preconceitos, sem distinção de cor, raça, sexo, idade ou religião, é ter uma responsabilidade muito grande nas mãos é pena mais alguns não estão aptos a lidar com isso. É preciso antes de qualquer outra coisa ao pedagogo, compreender que é responsável pela formação de todas as outras profissões.
Não estou dizendo que é fácil, pois ser pedagogo exige ser mais que profissional, é ser alguém que acredita que a educação pode sim mudar o mundo pra melhor, requer dedicação, perseverança e principalmente AUTOCONTROLE em casos específicos.
É fato que vivemos numa sociedade consumista e “méritocrástica”, realmente a docência não é atrativa, quando se trata de remuneração e status, contudo, quem escolhe segui-la tem a obrigação de respeitar os alunos, não usando a sala de aula para despejar as suas frustrações e derrotas. Não é tolerável que um profissional que não tem a capacidade de lidar com as próprias frustrações, não seja capaz de manter uma relação com o meio em que vive harmoniosa, seja responsável pela formação de indivíduos, que por tabela também vão formar outros indivíduos.
Essa nova modalidade de ingresso na universidade, com a utilização das notas do Enem, trouxe um aumento de matrículas, o que é benéfico para o nosso país, porém veio de carona, alunos que chegam em solo universitário sem base nenhuma e professores que não estavam preparados para lidar com isso. Seria fácil colocar a culpa no “sistema”, mais nesse caso específico não seria justo, afinal como explicar que uma pedagoga, que deveria desenvolver em nós, entre outras coisas:
- Consciência da importância de nossa função no aperfeiçoamento de indivíduos e das relações sociais.
- Capacidade de expressar nossos julgamentos de valor.
- Capacidade de justificar nossas decisões referindo aos princípios em que nos baseamos.
- E principalmente saber ouvir e aceitar opiniões e posições diferentes das nossas, além da capacidade de argumentação.
Se ela mesma não possui essas competências. Nem mesmo o Pink e o cérebro seriam capazes de tal contrariedade a ordem. É necessário ter capacidade de analisar para chegar a uma conclusão, capacidade de comunicação para ouvir, para expressar diferentes pontos de vista, e imaginação para colocar-se no lugar de outras pessoas, compreendendo suas razões e seus argumentos sem preconceitos, com sensibilidade e modéstia. E para concluir não basta ser doutora em pedagogia, é preciso no mínimo ser alfabetizada em relações humanas.
Deixando claro que não tenho a pretensão aqui de está falando em nome de todos, é a minha opinião pessoal.
Alessandra Matos
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