Uma redação baseada em três textos, sendo eles:
Resolução nº 4 de 13 julho de 2010
Lembranças do meu ensino fundamental
Algumas reflexões sobre a psicologia escolar
Não percebi logo de início nenhuma relação entre esses três textos, mas, bastou lê com um pouco de atenção, para notar que se complementa, um parece ser a continuação do outro.
A resolução, é uma tentativa do governo de melhorar a inclusão, acessibilidade, comprometimento com a aprendizagem do aluno, entre outros pontos, é praticamente uma resposta a todos os questionamentos feitos por nós, na redação apresentada a professora Glória Freitas (redação sobre as dificuldades enfrentadas por nós em relação a aprendizagem).
O professor, como sabemos, consegue avaliar quais alunos estão realmente em sala para aprender, e quais estão apenas fazendo número, em contrapartida, nós alunos também temos esse discernimento, percebemos claramente quem são os professores que demonstram comprometimento com o nosso aprendizado, e os que estão ali, simplesmente para fazer jus ao seu rico dinheirinho no final do mês.
Todas essas colocações me levaram a uma viagem ao meu ensino médio, onde existia esses dois de ”tipos” professores.
Lembro-me da professora conceição, uma jovem senhora de meia-idade, que encarava a educação, como todo profissional que opta por seguir o caminho do magistério deveria fazer, com comprometimento, seriedade e principalmente com responsabilidade, afinal o professor é responsável sim, pelo aprendizado do aluno. Qualquer pessoa que assistisse a uma aula daquela senhora, percebia o amor pela profissão, o prazer em ensinar, além da capacidade que aquela professora desenvolveu para se fazer entender, como tudo tem sempre dois lados, recordei de um professor que a turma apelidou de “papa-léguas” (referência a um personagem de desenho animado, uma ave com extrema habilidade em correr), tamanha a displicência demonstrada com o ensino, pelo tal professor, além da pressa em terminar as aulas e ficar papeando com os alunos mais chegados pelos corredores, sobre a rodada de futebol do final de semana.
Há mais ou menos um ano encontrei em um dos supermercados da cidade, uma senhora, cabelo grisalho, rosto enrugado, para minha surpresa, estava ali na minha frente, aquela professora que me ensinou a respeitar a toda uma classe de profissionais, foi uma felicidade muito grande para mim, poder apresentar a meus filhos, uma pessoa tão especial e que me transmitiu ensinamentos que carrego até hoje, como por exemplo, “Escolha uma profissional de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia de sua vida.”
Ao me despedir, por um momento recordei do professor “papa-léguas”, será que algum dia, qualquer um dos seus ex-alunos , expressou ao reencontrá-lo, um por cento da felicidade que eu senti ao rever a professora Conceição? Certamente não.
E hoje por uma dessas ironias do destino, me encontro trilhando o caminho do magistério e desejo sinceramente, que todo o amor pelo prazer de educar, que eu presenciei durante as aulas daquela senhora, seja capaz de não me deixar envenenar, pelos professores “papa-léguas” que cruzarem o meu caminho.
Senhor educador, não substime as marcas que você deixa nos alunos.
Esse texto foi escrito por mim em Maio deste ano, contudo, me parece adequado ao momento.
Alessandra Matos
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