quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O poder da Imprensa marrom.

O que foi publicado em um blog na internet a respeito de um atendimento feito por mim, o terrível poder destrutivo da imprensa, ouve-se apenas um lado.

Atendente despreparada no SAMU

Na ultima sexta feira (23) por volta da 13:30h, em um ponto de VAN nas imediações da Praça Brasil. Um morador de rua do sexo masculino apresentava-se em estado de convulsões. Mesmo com ajuda de algumas pessoas a situação não foi resolvida, uma repórter de uma emissora local que passava pelo local presenciou o acontecido e imediatamente ligou para o SAMU 192, solicitando uma ambulância ate o local.

Para surpresa da repórter, a atendente agiu com extrema frieza e ignorância, chegando a dizer que não poderia fazer nada, pois não tinha ambulância disponível. Mesmo com insistência da repórter, a atendente teve a o disparate de dizer pra ela se virar como pudesse. Diante da situação a repórter se identificou como sendo da imprensa para ficar claro que não se tratava de um trote, porém nada obteve de positivo. E o pior, a atendente chegou a fazer a seguinte pergunta: “por que você não o leva então ao hospital no carro da imprensa?”.
De acordo com a repórter, o ocorrido além de cômico foi estressante. Revoltada com o atendimento, ela (repórter) imediatamente ligou para o diretor do SAMU informando do acontecido. Segundo o relato, o Diretor ficou estarrecido e ao mesmo tempo triste pelo ocorrido, pediu desculpas e prometeu tomar as devidas providencias quanto preparo profissional do pessoal.
A repórter disse ao diretor que mesmo ela se identificando com sendo da imprensa fora tratada daquela forma, imagine se fosse uma pessoa leiga quanto aos seus direitos. “Uma situação muito triste”. Frisou a repórter.
O fato foi narrado em uma das minhas aulas quando o tema era exatamente sobre vendas, atendimento e capacitação profissional.


AGORA VAMOS A RESPOSTA DADA POR MIM, A TAL REPÓRTER:


Caro Vilson,

O serviço 192 de Imperatriz, no dia do acontecido, trabalhava de forma atípica, pois estávamos operando com apenas duas ambulâncias e sem médico no plantão. Se juntarmos a este fato o de termos que atender uma população de 250 mil habitantes isso por si só já justificaria o fato de tê-la ter informado que naquele momento não havia nenhum veiculo disponível para ser enviado.
Agora vamos aos fatos:
1 – A repórter fez a ligação ao serviço 192, informando que na Praça Brasil, havia uma pessoa apresentando crise convulsiva e que precisava de uma ambulância com urgência no local. Diante do fato, foi informada, com estas palavras, por mim: “De imediato não temos ambulância disponível, se tiver condições de aguardar eu faço o registro...”, o que é de praxe, afinal em muitos casos, o solicitante remove o paciente por outros meios de uma maneira mais rápida a fim de agilizar o atendimento hospitalar. Diante da resposta a repórter interpelou: “Quer dizer que o paciente vai morrer aqui?” (palavras dela). Quem naquele momento era o responsável pela vida do paciente? Eu que a informei da impossibilidade de envio ou ela que estava no local? E que fique claro, o SAMU, é feito por profissionais sérios e comprometidos com o trabalho, agora nem sempre depende da equipe o socorro, na nossa cidade o número de motos é crescente o que só aumenta o número de acidentes diariamente e as ambulâncias rodam 24 h por dia, o que causa o desgaste dos mesmos e nem sempre trabalhamos com a frota inteira, como era o caso no dia do fato.
Apesar de não haver médico no plantão, a repórter foi orientada, que nos casos de convulsão em via pública, é por falta do uso da medicação pelo paciente, que a crise passaria em alguns minutos, ele nem se lembraria o que tinha acontecido e se recusaria ser removido ao hospital. (O que acontece em 100% dos casos). Sendo necessário apenas que ela (repórter) se aproximasse do paciente e mantivesse sua cabeça de lado, para que não se engasgasse e afastasse qualquer material que ao se debater pudesse causar alguma lesão. Foi quando indignada com a resposta, se identificou como da imprensa, dando a conhecida “CARTEIRADA”, o que diante dos fatos não mudaria nada afinal não tínhamos ambulância disponível naquele momento nem para um simples mortal e nem para ela da imprensa.
Agora me responda:
Quem agiu com descaso? Eu por tê-la, informado que naquele momento não havia como atender de imediato a solicitação e ainda a orientado quanto ao que deveria ser feito ou a repórter que não quis sujar as lindas mãos de Cinderela, tocando no paciente que ela insiste que queria socorrer. Quem estar disposto a ajudar coloca a mão na massa, pede ajuda, afinal fazer sombra com o chapéu alheio é muito fácil. E sinceramente não vejo problema em ter sugerido que o paciente fosse removido pelo carro da empresa, já que naquele momento não haveria maneira de que isso fosse feito pelo SAMU.
Quem agiu com ignorância? Ignorância (Falta geral de conhecimento, de saber, de instrução. Estado de quem ignora. Falta de conhecimento de um objeto determinado: ignorância da lei.) A pessoa em questão mostrou total desconhecimento, afinal todo serviço tem um protocolo, normas de rotinas que devem ser seguidas, o que neste caso foi aplicada.
Não satisfeita a repórter ligou para o coordenador do serviço, que disse a ela como deveria agir com o paciente, e ainda perguntou se naquele momento ela achava que ainda haveria necessidade do envio da ambulância, que de imediato respondeu que não, pois o paciente já tinha melhorado e não queria ir para o hospital, como eu desde o inicio da solicitação feita por ela, havia informado que aconteceria.
O que me causa estranheza é que uma pessoa “letrada”, como ela afirma ser conhecedora dos seus direitos. E dos direitos alheios, tem algum conhecimento? Tenha se sentido tão afrontada com a maneira que foi respondida, o que a mim mostra que apenas por ser uma pessoa pública, imaginou talvez que iríamos retirar um paciente que estava com o socorro em andamento de dentro da ambulância para atendê-la prontamente? E o que parece.

Sempre respeitei o serviço da imprensa, mais da que é feita por pessoas comprometidas com a verdade e que não usam o microfone que tem nas mãos como arma. Pois a imprensa séria tem o poder de mudar o mundo pra melhor, agora usada para beneficio próprio se torna arma letal para quem ousar não atender aos anseios, desejos ou ás vezes até mesmo necessidades do cidadão da imprensa marrom que precisar.
E ainda quanto ao treinamento de pessoal, temos periodicamente, esta é comprovadamente uma das maiores preocupações de nosso coordenador, afinal lidamos com pessoas de todas as classes e temperamentos, agora Caro Vilson, em nenhum destes treinamentos nos foi dado o poder de fazer aparecer em um passe de mágica, uma ambulância, quando algum colega da imprensa solicitar.

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